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22 de abr. de 2016

Dona Luiza

Luiza Hennes Straube, esposa do Capitão Guilherme Straube.

Pioneiros

A esposa e o 2º von der Osten de Cerro Azul: o comerciante Willand von der Osten - filho de Alfred von der Osten (imigrante alemão), pai de vários filhos, entre eles Edmundo von der (meu bisavô), avô de Silvio von der Osten (meu avô), bisavô de minha mãe Raquel von der Osten (minha mãe) e meu tataravô.

23 de nov. de 2012

Conquista da História de Cerro Azul!



 
Em alusão aos aniversários especiais de alguns municípios paranaenses (incluindo Cerro Azul), o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná promoveu o Concurso de Ensaio sob o tema “A construção da identidade: origem e História do Município”.
 
Cerro Azul aderiu ao convite e promoveu a etapa municipal, aberta ao universo de professores, estudantes, historiadores, pesquisadores e integrantes de quaisquer outras áreas de atividade, residentes ou não em Cerro Azul, que de alguma forma fossem interessados na história do município, nas suas tradições culturais e no processo de construção de sua identidade. Os ensaios deveriam ser individuais e inéditos. Nesta etapa tivemos como vencedor o Professor Reinaldo Benedito Nishikawa, com o ensaio “De imigrantes a colonos: um estudo sobre a Colônia Assunguy”. O Professor Reinaldo tem graduação e especialização em História Social pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado em História Social na Universidade de São Paulo (quando defendeu a tese “Terras e imigrantes na Colônia Assunguy: Paraná, 1854-1874”) e atualmente está terminando o doutorado, também na USP em História Econômica. É docente do Instituto Federal do Paraná e da Universidade Norte do Paraná, ministrando as disciplinas de História Regional de Historiografia. É professor também em cursos de pós-graduação com projetos de Pesquisa e Extensão. O seu ensaio foi enviado ao IHGPR para análise juntamente com os textos dos demais municípios, ficando classificado em 2º lugar!   

No dia 20 de novembro de 2012, foi realizada a sessão solene na sede do IHGPR, com a presença dos autores dos ensaios representativos de todos os municípios participantes e de representantes dos governos municipais envolvidos. Cerro Azul esteve presente na pessoa da Prof. Vania de Moura Machado, Diretora Municipal de Cultura, que na ocasião cumprimentou o Prof. Reinaldo pela conquista e entregou-lhe uma lembrança e certificado de honra ao mérito, em nome de Cerro Azul. Aberta por ERNANI STRAUBE, descendente do Capitão Guilherme Straube (imigrante alemão na época da Colônia Assunguy e um dos primeiros prefeitos de Cerro Azul), presidente do IHGPR, a cerimônia constou de outorga de diplomas de honra ao mérito aos autores dos ensaios representativos de cada município, outorga de diplomas de participação aos governos municipais envolvidos, premiação dos autores dos ensaios classificados nos três primeiros lugares, leitura, pelo seu autor, do ensaio classificado e apresentação do Coral do Colégio Estadual do Paraná.

 


15 de abr. de 2012

História da Festa e da Rainha da Laranja


O Concurso “Rainha da Laranja” já virou tradição em Cerro Azul: todos os anos, várias meninas bonitas de nossa cidade (Cerro Azul é conhecida não apenas por ser a terra da laranja, mas também a terra de mulheres bonitas) participam, na esperança de se tornarem Rainha ou Princesas da maior festa popular da região do Vale do Ribeira. Mas... desde quando existe a festa e o concurso? Como era antigamente e o que mudou até adquirir o formato dos dias de hoje? Vamos procurar responder a estas e a outras questões. Então... apertem os cintos e vamos embarcar juntos no túnel do tempo da Festa da Laranja!
Cerro Azul desde a época da Colônia Assunguy tem tradição na produção das frutas cítricas. Consta que no século XIX o governo imperial teria mandado uma equipe de agrônomos a fim de proceder à análise do solo e determinar quais lavouras seriam mais adequadas (devemos lembrar que a Colônia Assunguy, uma das primeiras iniciativas da Coroa na Província do Paraná, foi criada com o objetivo de tornar-se o “Celeiro do Paraná”). Constatou-se que, entre as culturas apropriadas para a região, encontravam-se as frutas cítricas. Vem então desde essa época a tradição de cultivar laranjas, que tornaram-se muito famosas em toda a região. Nesse aspecto, destacou-se a família von der Osten, como por exemplo o senhor Conrado von der Osten (filho do imigrante alemão Alfred von der Osten – o primeiro von der Osten de Cerro Azul). Em sua chácara “Felicidade”, Conrado dedicou-se ao cultivo de diversas frutas e hortaliças. Em 1926 ganhou a medalha de ouro de 1º lugar na Exposição dos Municípios, pela criação da laranja “Cerro Azul”. Nos anos 60, a tangerina da variedade “ponkan” foi introduzida na região por Silvio Antonio von der Osten (filho de Edmundo von der Osten, neto de Willand von der Osten e bisneto de Alfredo von der Osten). A primeira carga de ponkans foi levada até Curitiba para venda por Agenor Francisco de Moura e Costa.
Com toda essa relação com as frutas cítricas, era de se esperar que a maior festa popular que compõe o patrimônio imaterial da região fosse a “Festa da Laranja”, que foi criada em 1959, conforme atesta a ata de criação da festa, de propriedade do Sindicato Rural de Cerro Azul. De lá para cá a festa adquiriu diferentes formatos, mas algumas características são constantes: as “barraquinhas” que vendem produtos típicos da região e também as “novidades” que a comunidade deseja ver e comprar, a exposição de laranjas, tangerinas e outros produtos da região, os shows que mostram os talentos da terra e dos municípios vizinhos, além dos nomes que estejam fazendo sucesso no cenário musical de cada época. E... como não podia deixar de ser, a presença da Rainha e das Princesas da Festa da Laranja.
O concurso que escolhe a Rainha da Laranja foi criado em 1964. A primeira rainha chamava-se Rosalda Aparecida Elizabeth. Inicialmente, a rainha era escolhida através da venda de votos: a candidata que vendesse mais votos era a rainha. Essa venda era feita previamente. A contagem e a apuração dos votos acontecia no domingo da festa, cedinho. Escolhida a nova rainha e as princesas, estas participavam do almoço das autoridades, como anfitriãs junto com o Prefeito e o Presidente do Sindicato Rural. Após o almoço, acontecia um desfile de carros alegóricos (decorados por várias instituições da cidade) pelas principais ruas de Cerro Azul. O carro com a rainha e as princesas era o mais ricamente decorado e seguia à frente do cortejo. Nos anos 90 o evento adquiriu realmente o caráter de concurso: começaram os desfiles em passarela das candidatas, realizados no Baile da Festa da Laranja, no sábado da festa. Como ao longo dos anos a festa vem se ampliando, com um público cada vez maior e com necessidade de divulgação prévia nos meios de comunicação (rádio, televisão e jornal), desde 2008 o concurso é realizado com mais antecedência: durante o Baile do Dia das Mães, no segundo domingo de maio.
Enfim, não importa o tempo que passe, não importa de você é cerroazulense de nascimento ou “de coração”: todos amamos a Festa da Laranja, todos temos orgulho e amamos a Rainha e as Princesas da Festa da Laranja, nossas soberanas, que nos representam durante a festa. Legítimas representantes de um aspecto importante da cultura imaterial de nossa região.

Confira os nomes daquelas que conquistaram a coroa e o direito de serem chamadas de “Rainha”:
               
-Rosalda Aparecida Elizabeth
-Regina von der Osten
-Delci Terezinha Heidger
-Osmari Terezinha Coutinho
-Dirce Socher
-Sandra Regina Laio
-Marlene Aparecida Platner
-Deusilene Paulin
-Leonice Laio
-Silmere Agner
-Léia Silva
-Osmari Araújo
-Sueli Maria Lissa
-Eliane von der Osten
-Schirley Rocher
-Adulti von der Osten
-Eunice Raquel Desplanches
-Arlete Drulla
-Reviana de Lima
-Mariana Barbato
-Andreia Cristina Bestel
-Janaina Alves Cordeiro
-Rosana Braine
-Idimara Aparecida Martins
-Maria Eunice de Matos
-Aline Bichels
-Katiéli Coutinho
-Michele Aiçar Assad de Suss
-Daniele Stival
-Juliana Santos
-Cleonice Denck
-Valéria de Souza
-Edilaine Moreira
-Priscila Mottin Magari
-Daiane Magari
-Tadilaine dos Santos
-Nahyara Catherine Coutinho
-Edna Aparecida Cropolato
-Suzana Board
-Eliza Bruna
-Caroline Mottin Magari
-Kelly Aparecida Mathias

8 de abr. de 2012

Bandeira do CEPI

Essa é para todos os meus queridos alunos. Um pouco de história do nosso Princesa Isabel: O brasão da escola foi criado durante a gestão da diretora Márcia do Rocio Coutinho Agne, através de um concurso de desenhos realizado entre os alunos. O desenho vencedor foi o da aluna Anacir Ferreira dos Santos, filha do saudoso professor Acir Ferreira dos Santos, que lecionava Matemática no Princesa Isabel (foi meu professor na 8ª Série). Seu significado: a coroa acima das letras P e I de Princesa Isabel (que lembram um escudo) simbolizam a coroa do Império Brasileiro (afinal a escola se chama Princesa Isabel em homenagem à Princesa Izabel - filha do imperador D. Pedro II - que foi a grande incentivadora da Colônia Assunguy, origem de Cerro Azul), as montanhas e o sol lembram a possível origem origem do nome de nossa cidade. O escudo deu origem à bandeira da escola, criada durante a gestão da diretora Schirley Rocher Castro.

24 de jan. de 2012

Diretores da Colônia Assunguy

Foi com grande satisfação que recebemos o e-mail de  ALESSANDRO CAVASSIN ALVES, doutorando em Sociologia na UFPR e professor na Área Metropolitana Norte, em Itaperuçu. Ele nos conta que recentemente apresentou um texto sobre os diretores da colônia do Assunguy, no Simpósio Nacional de História, na USP, o qual reproduzimos aqui na íntegra. Tal estudo com certeza contribuirá para enriquecer a pesquisa sobre a história de Cerro Azul. Obrigada, Alessandro!

ANÁLISE PROSOPOGRÁFICA DOS DIRETORES DE UMA COLÔNIA IMPERIAL PARA IMIGRANTES NO PARANÁ, SÉCULO XIX

ALESSANDRO CAVASSIN ALVES[1]

Introdução
O que se propõe para este trabalho é a análise de quem foram os Diretores de uma colônia para imigrantes a 106km ao norte da capital do Paraná, Curitiba, denominada de colônia do Assunguy, na qual estes indivíduos formavam, em seu conjunto, uma elite política e administrativa nesta micro localidade. Tendo em vista que o conceito de elite é amplo e por vezes sem um consenso (HEINZ, 2006, p.07), segue-se aqui a definição de elite política utilizada por Joseph LOVE e Bert J. BARICKMAN (2006) como aquele grupo detentor de importantes posições nos governos. E para este caso, restringe-se ao estudo dos ocupantes da posição de diretor, como sendo uma posição relevante no exercício deste poder. Num espaço de tempo que vai de 1860, época da criação da colônia até o ano de 1882, quando é emancipada politicamente, tornando-se Vila.
O método de análise utilizado para se compreender os diretores da colônia do Assunguy será o prosopográfico. A partir da prosopografia busca-se entender o perfil geral destes diretores e de que maneira isto influenciaria no desenvolvimento desta colônia. Portanto, o problema que se coloca é debater um aspecto presente em todos os livros de história paranaense que é o “fracasso” da colonização no Assunguy.
A identificação desta “elite política/administrativa”, fundada sobre pesquisas empíricas, se faz necessário e se justifica, pois pouco ou nada se sabe sobre quem foram e qual o perfil destes diretores das colônias para imigrantes no território paranaense.
Esta análise específica a que se propõe este trabalho pode contribuir para a discussão mais ampla sobre o que é o Paraná e sua formação e mesmo o processo de colonização no sul do Brasil promovido no século XIX pelo governo Imperial.

Aspectos históricos da colônia do Assunguy
A Colônia do Assunguy foi um grande empreendimento colonizador, pensado e realizado pelo Governo Imperial. Ela foi construída em terras devolutas na Província do Paraná e instalada oficialmente em 1860, ao todo medindo 59.681,4 hectares2, em três territórios, medidos por engenheiros3, formando um espaço geometricamente em forma de quadrados, na qual foram realizados grandes investimentos4.
Sua localização é em um espaço geográfico acidentado, com íngremes montanhas, muitos rios e de difícil acesso até o vale em que se encontra sua sede. Estas condições naturais dificultavam muito as tentativas de se estabelecer ali um próspero núcleo colonial.
Porém, foram grandes os investimentos e as despesas geradas com esta colônia. As medições das terras devolutas para se preparar a colônia, a medição dos lotes, a construção de casas para os colonos, do preparo de seus lotes, das construções oficiais como a casa para o diretor, armazéns, pequenas fábricas, enfermarias, igrejas (católica e protestante), escolas, transporte de imigrantes, gastos com funcionários nomeados para nela trabalharem como diretores, escrivões, ajudantes, engenheiros, agrimensores, médicos, farmacêuticos, enfermeiros, professores e feitores, com a criação de uma repartição pública específica na província do Paraná, a “Repartição Especial de Terras Públicas e Colonização”, e principalmente, pelo alto gasto com a tentativa da construção de uma estrada de rodagem entre a capital Curitiba e o centro do núcleo colonial, ou da estrada entre a colônia a Castro, ou daquela que nunca sairia do papel, entre Antonina (cidade portuária no Paraná ou mesmo de Cananéia em São Paulo) até a colônia do Assunguy, além das linhas férreas planejadas que jamais foram feitas até a colônia.
A princípio, justificavam-se plenamente estes investimentos, afinal era uma reivindicação antiga da província do Paraná, ter colônias para imigrantes, pois havia a necessidade de se povoar o território, trazer colonos morigerados, e principalmente melhorar o abastecimento de alimentos, além de suprir a mão de obra escrava, cada vez mais cara e escassa. As terras da colônia do Assunguy eram consideradas de qualidade ímpar para a agricultura, com inesgotáveis fontes de água, somadas às riquezas minerais no subsolo e um clima propício para se plantar e viver5.

O problema é que a Colônia do Assunguy não atingiu seu objetivo de ter se tornado uma próspera colônia do Estado brasileiro, de ser o celeiro agrícola do Paraná, capaz de exportar os mais variados tipos de alimentos e produtos, e nem mesmo de ser um local propício e de bom acolhimento para os imigrantes, tornando-se assim um empreendimento estatal fracassado na visão de todos os historiadores e pesquisadores do tema.
Tem-se que esta grandiosidade de investimentos e tempo gasto pode ser vistas claramente nos relatórios dos Presidentes da Província do Paraná. E seguindo os acontecimentos referentes à colônia do Assunguy nestes relatórios oficiais, de 1854, época da independência política paranaense e na qual já se iniciava a descrição da pretensão da instalação de uma colônia na região do rio Assunguy e Ribeira, até o ano de 1882, quando a colônia torna-se independente formando o município de Cerro Azul, é possível, pelo olhar oficial, ter uma ideia do que foi este grande empreendimento público de colonização.
A grandiosidade deste empreendimento estatal foi inclusive associada a Princesa Isabel, imperatriz brasileira, filha mais velha de D. Pedro II, creditando a ela suas origens (mesmo tendo ela em 1860, apenas 14 anos), na qual ela teria “vislumbrado a instalação de uma colônia agrícola nas regiões dos rios Ponta Grossa e da Ribeira” (FERREIRA, 2006:83).

Prosopografia dos Diretores da colônia
Identificados os indivíduos (população) que ocuparam o cargo de diretor desta colônia, buscam-se, então, as características gerais deste grupo que controla o poder local. Mapear quem são esses indivíduos que ocuparam o cargo de diretor desta colônia e suas trajetórias políticas levaria esta pesquisa a uma pequena biografia de cada um deles. Esta biografia individual permitiria descobrir as características gerais desta elite. A partir deste levantamento se busca elaborar uma prosopografia ou biografia coletiva:

Seu princípio é simples: definir uma população a partir de um ou vários critérios a estabelecer, a partir dela, um questionário biográfico cujos diferentes critérios e variáveis servirão à descrição de sua dinâmica social, privada, pública, ou mesmo cultural, ideológica ou política, segundo a população e o questionário em análise. Lawrence Stone o diz à sua maneira: “prosopography is the investigation of the common background characteristics of a group of actors in history by means of a collective study of their lives”. Uma vez reunida a documentação, e esta é a parte mais longa do trabalho, o exame dos dados pode recorrer a técnicas múltiplas, quantitativas ou qualitativas, contagens manuais ou informatizadas, quadros estatísticos ou análises fatoriais, segundo a riqueza ou a sofisticação do questionário e das fontes (CHARLE in HEINZ, 2006, p.44).

A “população” está definida a partir do critério de participação do cargo de diretor na colônia do Assunguy. O questionário biográfico abordará sobre a dinâmica política destes atores, destacando a procedência de nomeação, que a princípio era o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas no Rio de Janeiro (nomeando diretores efetivos) ou através do Presidente da Província do Paraná, ou da Repartição de Terras Públicas, ou ainda da Tesouraria da Fazenda do Paraná (nomeando diretores interinos até a sua aprovação pelo Rio de Janeiro ou até chegar o novo diretor efetivo); e o tempo em que o diretor ficou na administração da colônia, bem como seu conhecimento da região, que são aspectos que podem significar uma maior ou menor influência nos destinos da colônia.
O levantamento da biografia de cada um destes indivíduos, mais ou menos ampla em detalhes de acordo com a “riqueza” das fontes encontradas e da coleta de dados, será feita através dos seguintes itens: profissão / escolaridade (representado pelos títulos a que são referidos, como engenheiro, professor, médico, capitão etc.) e dados biográficos relevantes destes diretores, como se estrangeiros, se funcionários públicos de carreira, empreiteiros etc. A prosopografia possibilitaria, assim, uma visão geral desta elite.
Vejamos a seguir os dados gerais de cada um dos diretores desta colônia, entre 1860 a 1882:

1. JOAQUIM PINTO DE QUEIRÓS SARMENTO
Diretor interino de 10/dez/1860 a 29/abr/1861 (3 meses de administração). Teve fraca influência. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR.

2. JOAQUIM SEVERO CORREA
Diretor efetivo de 29/abr/1861 a 8/out/1861 (5 meses de administração). Teve forte influência por residir na colônia. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era tenente, capitão, comerciante, empreiteiro e político. Depois de Diretor da colônia, estabeleceu-se na região do Assunguy como comerciante e dono de terras, exercendo funções de serviço público da guarda nacional; era cunhado do Vice-Presidente do Paraná, Visconde de Nácar, e por fim eleito deputado provincial, mas não assume por motivo de falecimento em 1875.

3. RAYMUNDO FERREIRA DE OLIVEIRA MELLO
Diretor interino de 27/out/1861 a 9/jan/1862 (2 meses de administração). Teve fraca influência. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR

4. GOTTLIEB WIELLAND
Diretor efetivo de 9/jan/1862 a 7/dez/1864 (2 anos e 11 meses de administração). Teve Forte influência por conhecer bem a região. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Foi ex-diretor de colônias e engenheiro no Paraná. Alemão; Depois de Diretor, realizou diversos trabalhos em obras públicas e particulares na Província do Paraná e na região do Assunguy.

5. JOÃO ANTONIO PEREIRA
Diretor efetivo de 7/dez/1864 a 21/out/1865 (10 meses de administração). Teve fraca influência. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR

6. EMÍLIO NUNES CORRÊA DE MENEZES
Diretor interino de 21/out/1865 a 2/jan/1866 (2 meses de administração), de Mar/1867 a 30/jul/1867 (3 meses de administração), de 1/jun/1868 a 3/ago/1868 (2 meses de administração). Teve forte influência por conhecer bem a região. Foi nomeado pelo Departamento da Repartição de Terras, PR.  Era professor, depois funcionário e oficial do Departamento da Repartição de Terras a partir de 1861 até seu falecimento em 1870, com importantes trabalhos no setor de colonização no Paraná.

7. G. R. WHALEY
Diretor efetivo de 02/jan/1866 a abril/1866 (2 meses de administração). Teve fraca influência. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ

8. MANUEL ANTONIO FERREIRA
Diretor efetivo de 28/abr/1866 a mar/1867 (1 ano de administração). Teve forte influência por conhecer bem a região e ser dono de terras na colônia. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR. Era empreiteiro, tenente coronel e político. Realizou diversas obras públicas como empreiteiro. Foi Vice-Presidente da Província do Paraná em 1863. Participou da Guerra do Paraguai. Era fazendeiro e com terras na colônia do Assunguy.

9. JULES LOUIS PARIGOT /ou JULIO LUIZ PARIGOT
Diretor efetivo de 30/jul/1867 a 06/maio/1869 (1 ano e 9 meses). Teve forte influência por ser diretor de colônias do Império. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era médico, diretor de colônias e escritor. Francês ou Belga, era maçom e diretor em outras colônias do Império. Também era nomeado para atuar como médico nas colônias.

10. JOSÉ BORGES DE MACEDO
Diretor interino de 27/maio/1869 a 5/nov/1869 (5 meses de administração). Teve forte influência por residir na colônia. Foi nomeado pelo Departamento da Repartição de Terras, PR. Era professor primário, amanuense e escrivão. Inicia a carreira como professor primário em Votuverava e depois no cargo de amanuense na Repartição de Terras e passa a residir na colônia do Assunguy, sendo escrivão e ajudante de vários diretores.

11. GODOFREDO AUGUSTO SCHIMIDT
Diretor efetivo de 5/nov/1869 a 1872 (2 anos e alguns meses). Teve forte influência por ser diretor de colônias do Império. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era diretor de colônias e alemão. Trabalhou em jornal no RJ; Era tradutor. Trabalhou na alfândega de Santos e como diretor em outras colônias do Império.

12. ALEXANDRE AFONSO DE CARVALHO
Diretor efetivo de Mar/1873. Teve pouca influência. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ

13. JOAQUIM DE SOUZA BORGES ACCIOLI
Diretor efetivo de Jun/1873 a fev/1874 (7 meses). Teve pouca influência. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ

14. RAIMUNDO DE PENAFORTE ALVES SACRAMENTO BLAKE
Diretor efetivo Mar/1874 a set/1874, ou talvez até 1875 (1 ano). Teve forte influência por conhecer bem a região. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era engenheiro, diretor de colônias, inspetor geral das medições de terras no PR, SP, RS e outras comissões, além de inspetor geral do governo junto a companhia da Estrada de Ferro de SP a RJ.

15. PEDRO DE ALCÂNTARA BUARQUE
Diretor efetivo de Out/1875 a out/1877 (2 anos). Teve forte influência devido ao tempo que ficou como Diretor. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era tenente coronel, funcionário público e membro da família de José Ignácio Buarque de Macedo, de Engenho do Samba, RJ.

16. MAURÍLIO MOREIRA DE MAGALHÃES SAMPAIO
Diretor interino de Out/1877 a fev/1878  (4 meses); Teve pouca influência. Foi nomeado pela Tesouraria da Fazenda, PR

17. FRANKLIN DO REGO RANGEL
Diretor interino de Fev/1878 a mar/1879 (1 ano de administração). Teve forte influência devido ao tempo que ficou na colônia. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR. Era funcionário público imperial e depois funcionário público do Paraná. De escrivão a diretor na colônia do Assunguy, depois exerceu atividades em cargos públicos no governo do Paraná.

18. IGNÁCIO DE SÁ SOTTO MAIOR
Diretor interino de Mar/1879 a 10/jun/1879 (3 meses). Teve pouca influência. Foi nomeado pela Tesouraria da Fazenda, PR

19. CONSTANTE AFONSO COELHO
Diretor interino de 12/jul/1881. Substituiu interinamente durante a direção de Manuel Barata Góes. Foi nomeado pelo Presidente da Província, PR
 
20. MANUEL BARATA GÓES
Diretor efetivo de 10/jun/1879 a 14/jan/1882 (2 anos e 6 meses). Teve forte influência por ser diretor de colônias do Império. Foi nomeado pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, RJ. Era engenheiro, bacharel e diretor de diversas colônias imperiais, em especial no Paraná e no Rio Grande do Sul. Encaminhou a colônia do Assunguy para sua emancipação política.
Fonte: Relatórios dos Presidentes da Província do Paraná, 1854 a 1882. PARANÁ. Registro de correspondências dirigidas à Presidência pelos diretores da Colônia do Assungui entre 1866 e 1872. Códice 380. DEAP.  

                  Percebemos que em 22 anos de colônia do Assunguy, houve 22 mudanças na administração, sendo que passaram 20 diretores diferentes. Destes 20, 8 são interinos e 12 são nomeados de forma efetiva.
Dos diretores interinos, estes eram nomeados pelo governo da província do Paraná, sendo pelo próprio Presidente, ou via diretoria do Departamento de Repartição de Terras Públicas até 1870 e depois pela Secretaria de Tesouraria da Fazenda da Província. A média de permanência deles na administração era em torno de um pouco menos que 3 meses, até a chegada do diretor efetivo. A presença deles é verificada quando da saída do diretor efetivo. Nos relatórios dos presidentes da Província do Paraná verificamos também a demora da troca entre um diretor e outro, ficando por vezes, a colônia sem diretor. E que, de maneira geral, um diretor interino pouco ou quase nada poderia influir nos destinos da colônia.
Dos 12 diretores efetivos, temos que nove deles, nomeados pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas eram de fora da Província do Paraná, provenientes em sua grande maioria do Rio de Janeiro.
Já a média de permanência dos diretores efetivos era de 15 meses. Destes 12, apenas cinco diretores tiveram um tempo de trabalho maior do que os 15 meses a frente da colônia, tendo como característica comum serem diretores de colônias do governo imperial, com passagem por outras colônias brasileiras. O máximo foi a administração do alemão Gottlieb Wielland, 35 meses e mínimo foram dos diretores, o inglês G.R.Whaley e o médico baiano Alexandre Afonso de Carvalho, entre 1 a 2 meses de governo. Certamente, o pouco tempo de permanência no cargo destes diretores, minimizava qualquer controle maior sobre os encaminhamentos da própria colônia.
Neste sentido, outro aspecto é a forte ou fraca influência dos diretores na condução desta colônia e a realização de possíveis mudanças em seu benefício. Consideramos que 11 deles poderiam ter uma influência maior devido ao fator tempo de administração, conhecimento da região e de permanência na colônia. Destes, 2 ex-diretores residiram na própria colônia, 4 conheceriam bem a região, 3 por terem sido diretores de outras colônias e 2 por passarem de assessores a diretor. Porém, metade dos 20 diretores teve fraca influência, pois permaneceram muito pouco na sua administração. O cargo de Diretor desta colônia era uma atividade, portanto, bastante provisória. Esta é a mesma conclusão do trabalho de Terciane LUCHESE (2009, p.33), sobre três colônias para imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, em que constatou que não havia “uma constância administrativa nas colônias e as mudanças frequentes na coordenação desse trabalho de certa forma demonstra o grande número de dificuldades encontradas pelos diretos para exercerem suas funções, e o despreparo de alguns”.
Sob estes aspectos coletivos apresentados, consideramos ser estas algumas dificuldades aparentes na condução dos trabalhos administrativos desta imensa colônia, como a intensa troca de diretores, muitos deles interinos, a pouca permanência dos diretores efetivos e a procedência deles vindos de fora do Paraná e, portanto, com uma influência relativa nos rumos da colônia. Tudo isto teria influenciado o mau desempenho da colônia.
 Podemos ter um perfil geral dos diretores mais influentes desta colônia observando a profissão e escolaridade, dadas a partir de sua biografia e títulos, e dados biográficos relevantes que demonstrem suas atividades ao longo da vida. A colônia do Assunguy, para a grande maioria deles, foi apenas um pequeno momento em suas vidas, salvo para Joaquim Severo Correa e José Borges de Macedo, que passaram a residir no local, mas para os demais, provavelmente era uma oportunidade de experiência visando cargos melhores no império brasileiro ou na província do Paraná.
Entretanto, para o ex-diretor (em 1861) Joaquim Severo Correa, a colônia foi onde se estabeleceu e construiu sua carreira profissional, pública e política. Foi o mais importante comerciante local até 1875, época em que faleceu, e no mesmo ano em que foi eleito deputado provincial do Paraná. Era também membro do serviço de delegacia e inspetor de quarteirão, com títulos de tenente e capitão. Participou em 1867, com o então diretor Manuel Antonio Ferreira, de uma exposição de produtos agrícolas em Paris; e o engenheiro inglês BIGG-WHITER (2001), quando esteve na colônia em 1873, teria ficado hospedado em sua casa, onde viu, através de um caderno, que todos os colonos tinham contas em seu comércio, e de acordo com depoimento dos colonos ingleses em 1874 (MONUMENTA, 1998), o governo paranaense comprava todos os produtos para a colônia do sr. Severo, então “cunhado do Vice-Presidente” do Paraná, Visconde de Nácar. E ainda, Severo Correa e o coronel Ferreira possuíam terrenos no centro da colônia, fato denunciado pelo Diretor Julio Luis Parigot em 1868, pois os colonos tinham de ser instalados a distâncias cada vez maiores de seu centro administrativo. Ao que se percebe, Joaquim Severo Correa possuía um amplo controle do poder local nesta colônia, via comércio e membro de atividades públicas policiais, independente do diretor que fosse nomeado.
Quanto a José Borges de Macedo, sua influência se dava pela experiência que tinha no cargo de escrivão e ajudante, e residindo na própria colônia.
Entre as profissões dos 20 diretores da colônia temos as seguintes: 5 diretores de colônias, 4 com títulos militares, 4 engenheiros, 3 ex-professores, 2 médicos, 2 empreiteiros, 2 escrivões, 2 funcionários da Repartição de Terras do Paraná, 2 funcionários da Tesouraria do Paraná, 2 políticos, 1 bacharel, 1 tabelião, 1 inspetor de alfândega. Podemos observar que todos eram funcionários públicos, do império ou da província do Paraná, mesmo os quatro estrangeiros mencionados; percebe-se uma grande heterogeneidade entre as profissões; e quanto aos dados biográficos relevantes, apenas metade dos 20 diretores trabalharam boa parte de suas vidas em colônias para imigrantes. E dos diretores mais influentes, destaca-se novamente serem eles diretamente ligados ao trabalho com colônias para imigrantes.
Sobre os diretores estrangeiros, é interessante notar que a colônia do Assunguy era mista e com imigrantes de diversos países, como França, Alemanha, Inglaterra, Suécia, Itália, Suíça, Bélgica, Espanha entre outros países, além de muitos brasileiros. Neste sentido o governo imperial nomeou estes diretores estrangeiros, primeiro um alemão, devido a colônia em 1860 ser fundada por famílias alemãs, mas houve desentendimentos entre os colonos e este diretor; um francês ou belga que era médico, que também se desentendeu com o engenheiro da própria colônia, com o Sr. Severo Correa e com colonos ingleses. Interessante notar que os primeiros dois ofícios do diretor Parigot estão em francês; outro diretor foi um inglês, nomeado devido ao aumento de colonos ingleses na colônia e o conflito intenso entre diretores e colonos ingleses, que os consideravam não aptos ao trabalho agrícola, porém, este não permaneceu nem dois meses, justificando a falta condições mínimas da colônia; e por fim, outro alemão, também criticado em sua administração pelos colonos ingleses em 1874. Independente das críticas, dos quatro diretores estrangeiros, três deles estão entre os que mais teriam se destacado nesta colônia.
Aqui se enfatiza um ponto interessante, as constantes desavenças entre colonos e diretor e entre diretor e funcionários da própria colônia. Seriam os diretores muito autoritários? Parece que sim. Outro ponto é de que por vezes se encontra insinuações e denúncias sobre o problema da corrupção. Seriam os diretores também corruptos? Todas as denúncias eram sempre fiscalizadas pelos agentes do governo e eram afastados os diretores enquanto investigados. Financeiramente, esta colônia dependia dos recursos do Governo Imperial, mas todas as solicitações deveriam ser feitas ao Governo Provincial, que também pedia o relatório das despesas e os orçamentos dos futuros gastos. Então, o dinheiro vinha do Governo Imperial, passava pelo Governo Provincial e seguia para a Colônia na qual o Diretor e seus ajudantes eram os responsáveis para executar as obras necessárias e previstas nos orçamentos e ao pagamento das despesas com os colonos.
Após esta breve análise prosopográfica dos diretores da colônia do Assunguy é possível concluir sobre a homogeneidade quanto a serem profissionais da atividade pública, mas muito heterogêneos quanto a profissão e quanto permanência deles em atividades específicas de colônias. O insucesso desta colônia, ou seu “fracasso”, também se deve a esta heterogeneidade dos diretores, sendo que os que mais se destacaram trabalhavam efetivamente com a colonização. Por ser uma colônia agrícola, de difícil acesso, com estradas péssimas, talvez a existência de uma equipe de direção mais estável pudesse dar a ela um futuro melhor do que aquele que lhe aconteceu.

 

Referências Bibliográficas

BALHANA, A.P.; MACHADO, B.P.; WESTPHALEN, C.M. História do Paraná. Vol.1. Curitiba: Grafipar, 1969.
BIGG-WITHER, Thomas P. Novo caminho no Brasil Meridional: a Província do Paraná, três anos de vida em suas florestas e campos. 1872/1875. Rio de Janeiro: J.Olympio; Curitiba: UFPR, 1974, Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001.
CHARLE, C. (2006). História das elites e método prosopográfico. In: HEINZ, F. M. (org.). Por outra história das elites. Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas.
FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios Paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006. Cadernos Paraná da Gente; 5.
HEINZ, Flávio M. (org.) (2006). Por outra história das elites. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.
LOPES, José Carlos Veiga. (2007). Aconteceu nos Pinhais: subsídios para a história dos municípios do Paraná tradicional do Planalto. Curitiba: Editora Progressiva.
LAMB, Roberto Edgar. Uma jornada civilizadora: imigração, conflito social e segurança pública na Província do Paraná – 1867 a 1882. Dissertação. História. Curitiba: UFPR, 1994.
LOVE, Joseph L. e BARICKMAN, Bert J. (2006). Elites Regionais. In: HEINZ, F. M. (org.). Por outra história das elites. Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas.
LUCHESE, Terciane Ângela. Relações de Poder: Autoridades Regionais e Imigrantes Italianos nas Colônias Conde d’Eu, Dona Isabel, Caxias e Alfredo Chaves: 1875 a 1889. Curitiba: Editora CRV, 2009.
MONUMENTA. Imigração para o Brasil. Apresentação Magnus Roberto de Mello Pereira e Relatório sobre a colônia Assunguy, apresentado a ambas as casas do Parlamento por Ordem de Sua Majestade. Londres, 1875. Curitiba, Aos Quatro Ventos, 1998.
NISHIKAWA, Reinaldo Benedito. Terras e imigrantes na colônia Assunguy. Paraná, 1854-1874. Dissertação. História Social. USP, 2007.
OLIVEIRA, Ricardo Costa de. (2001). O silêncio dos vencedores. Genealogia, classe dominante e estado do Paraná. Curitiba: Moinho do Verbo.
Site institucional:
Arquivo Público do Paraná. Disponível em: http://arquivopublico.pr.gov.br/
Link: Pesquisa On-line: Relatórios dos Presidentes da Província do Paraná, 1854 a 1882. Disponível em: http://www.arquivopublico.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=44
Documentos Oficiais
PARANÁ. Registro de correspondências dirigidas à Presidência pelos diretores da Colônia do Assungui entre 1866 e 1872. Códice 380. DEAP.

Notas de rodapé
1 Instituição de origem: UFPR; Doutorando em Sociologia (2010-2013); bolsista REUNI.
2 É enorme o tamanho do território desta colônia comparado as demais colônias que se formaram no Paraná, na qual a média seria de aproximadamente mil hectares para cada colônia ao redor de Curitiba (WESTPHALEN, MACHADO, BALHANA: 1969:164-167).
3 A presença de engenheiros na medição das terras simbolizava a busca por encontrar soluções científicas acima dos interesses e paixões políticas (PEREIRA, Magnus, 1996:103). Porém, a falta de entendimento entre os engenheiros e as confusões constantes nas medições dos terrenos é percebida nos Relatórios dos Presidentes da Província do Paraná (1854 a 1882).
4 Os elevados investimentos do governo imperial são repensados em 1876 pelo Presidente da Província do Paraná, Lamenha Lins, que ao demonstrar os avultados gastos com a colônia do Assunguy, dizia que estes poderiam ter sido melhor aplicados na colonização em regiões próximas aos grandes centros, como Curitiba (PARANÁ, Lamenha Lins, 1877).
5 A riqueza do solo para a agricultura na colônia do Assunguy era uma das fortes justificativas para o seu sucesso, mas atualmente sabe-se que este solo, classificado como argiloso, não seria o mais ideal para a agricultura (NISHIKAWA, 2007:126).

27 de mai. de 2011

A Câmara Municipal

Foto tirada em frente à Câmara Municipal (na época Prefeitura) por ocasião da visita a Cerro Azul do governador do Paraná, Moysés Lupion, na gestão do Prefeito Athanagildo de Souza Laio, nos anos 50.

Localizado na Praça Monsenhor Celso,  é um sobrado construído em alvenaria, composto de dois andares. Antigo patrimônio histórico de "pedra e cal", recentemente passou por um processo de reforma e restauração. Em seu hall de entrada é possível observar parte da estrutura original da edificação, que foi deixada à mostra para visitação. Foi o primeiro prédio público construído em Cerro Azul, ainda na época da Colônia Assunguy: era a Casa da Administração. Já abrigou a Prefeitura Municipal, Fórum, Biblioteca, Museu, Posto Telefônico e Módulo de Atendimento da Polícia Militar. 

Fonte: Casa da Cultura de Cerro Azul

27 de jun. de 2010

Cerro Azul nasce na época do Império

Um intenso movimento colonizador se fez sentir com o advento da província do Paraná, a partir de 1853. [...] Segundo o historiador Paranaense Romário Martins, “... Em 1875 tinha a Colônia Assungui 1824 habitantes, sendo 775 Brasileiros, 338 Franceses, 221 Ingleses, 202 Italianos, 171 Alemães, 16 Espanhóis e 1 Sueco”. (encontra-se escrito também Açungui). Os primeiros administradores foram: Barata Ribeiro, Manoel Nabuco e José Borges, que contribuíram para que o núcleo às margens do rio Ponta Grossa fosse elevado à categoria de Freguesia, em 2 de Abril de 1872, invocando as graças de Nossa Senhora da Guia, Padroeira.

D. Pedro II era pessoa culta e o símbolo cultural da época era representado por bibliotecas e museus. A população aqui assentada era também de pessoas com culturas étnicas diferenciadas: falavam os idiomas Alemão, Francês, Inglês, Italiano, Espanhol [...] Muitos entraram com qualificação “lavrador”, mais eram pessoas com curso técnico ou superior como foi o caso de Henrique Henning, construtor civil responsável pela construção e mestre de obras da Catedral Metropolitana de Curitiba e de muitas residências famosas (aqui fez morada na fazenda Olho d’água. Foi professor da escola de artes e ofícios de Mariano de Lima, em Curitiba) e José Heidegger, oficial Francês.

D. Pedro atendeu aos anseios do povo. Fase caracterizada pelas construções de bens físicos, como a Casa da Administração, onde está hoje a Câmara municipal (ali também foi Prefeitura, Fórum e mais tarde se alojaram Biblioteca e Museu. Na Igreja Central Presbiteriana em Curitiba, encontra-se também um livro ata de registros de casamentos, batismos e confissões de pecados, da antiga colônia Assungui, ou Açungui. Desta mesma igreja, conta o saudoso Professor Moacir Bassetti que, a pedido, o Imperador (Kaiser), da Alemanha mandou jarra e bacia de ouro para batizar os 12 filhos de Dona Elizabete Straube e dos von der Osten, cujas peças pertencem hoje à igreja luterana de Curitiba. [...] As obras deram impulso a colônia. Muitos colonos descendiam de famílias nobres da Europa e não se adaptaram a vida rústica do sertão paranaense. Uns regressaram à pátria. Outros mudaram-se para Curitiba e Santa Catarina. Os que aqui ficaram, raça de bravos heróis, lutaram com toda a sorte de dificuldades de um meio agreste e montanhoso, apesar da colônia estar dividida em quarteirões regionais (1°, 2°e 3° territórios) e estes nas chamadas “letras” de terras, contendo 12,5 doze alqueires e meio, igual a 302.500 m². As viagens eram nos caminhos de picadas na mata, sem estradas, usando as malas de couro (bruacas) ou cestos de taquara ou bambu, jacás e como meio de transporte o lombo de animais chamados cargueiros.

Povoaram a beira do Rio Turvo, Ribeira Acima, Ribeira Abaixo, a sede, beira do Ponta-Grossa e os demais lugares, se destacando os nomes: BRAINE, BODY, BALLES, BUARD, BICHELS, BLUM, BARBIOT, BRIATORI, BOULARD, BASSETTI, BRUNO, CHANAN, CROPOLATO, CHANDELEUR (ier), CLUG, COPELLLETTI, CRIPPA, CHARQUETTI, CIOLA, CERBELO, DESPLANCHES, DEPETRIS, ERAT, FITZ, GERALD, GILLIET, SCHEFFER, GEFFER, GLODIS, HILMAN, JAQUETTI, RAAB, RESTORFF, SAISS, SAID, SCHENAIDER, SEGAT, STRAUB, ROSNER, TIBLIER, VELMAN, WELCH, WOCH, WOLKER, VON DER OSTEN, WIGRT, PAIK, MATIAS, PERRONI, MAUGGER, DRINGOT, GRINGOT, GLUG, BLETNER, e tantos outros. (com o passar do tempo muitos nomes modificaram sua ortografia e fonética, com som abrasileirado).

Cerro Azul, dependendo a data que se toma de referencial, fundada em 1860, viveu 29 anos sob o domínio imperial. [...]

Texto: Dr. Ruy Guiguer, no estudo “Acordem, Cerro-azulenses”
Adaptação: Prof. Vania de Moura e Costa

26 de out. de 2009

Título de Propriedade




Título de propriedade do lote de terras adquirido na Colônia Assunguy por Alfredo von der Osten.
Fonte: Arquivo Público do Paraná

25 de out. de 2009

Palacete Bassetti

Foi construído pelo senhor Carlos Bassetti (um dos prefeitos de Cerro Azul), filho de imigrantes italianos, em lote definitivo expedido pelo Império na época da ocupação da antiga Colônia Assunguy. Carlos Bassetti foi casado com a senhora Reinalda Bichels Bassetti, que foi uma das primeiras professoras do Grupo Escolar de Cerro Azul. Ponto de encontro tradicional da sociedade cerro-azulense, em suas dependências funcionou o "Grêmio Gerânio". Conta-se que as noivas escolhiam sua bela escadaria para tirar fotografias de casamento. Após a morte trágica do marido (ele caiu de um andaime utilizado para a reforma da Igreja Matriz), Dona Reinalda continuou morando na casa com sua única filha Emy, que se casou com o senhor Oscar Bassetti, professor, solicitador e agricultor. A casa pertence ainda à família, hoje representada por seus netos: Neide, Carlos Oney e Cleusy. Hoje abriga o PROVOPAR - Cerro Azul.

Casa da Cultura


O prédio é quase tão antigo quanto Cerro Azul, pois foi construído a pedido dos imigrantes alemães e a mando do governo da Província do Paraná, em 1875, servindo como templo de culto. Segundo Dr. Ruy Vilella Guiguer, pesquisador da história e da cultura de Cerro Azul,  foi a primeira igreja evangélica ecumênica da região, porque nela congregavam os presbiterianos calvinistas (franceses), os luteranos (alemães) e outros grupos evangélicos. O templo era dirigido na época pelo missionário imigrante inglês GEORGE BIECKERSTH, antepassado da Família Bichels. A edificação foi também sede do Grupo Escolar de Serro Azul, sendo reformada na gestão do Prefeito Athanagildo de Souza Laio e do Governador Moisés Lupion e pertencendo à municipalidade até 1981. Em 29 de janeiro de 1982, durante a gestão do Prefeito Altenir Alves David e do governador Ney Amintas de Barros Braga, o prédio foi doado ao governo do estado do Paraná, sendo utilizado como Fórum da Comarca de Cerro Azul até setembro de 2003. Com a mobilização da comunidade cerro-azulense, coordenada pelo advogado Dr. Ruy Vilella Guiguer, o prédio retornou ao município em regime de comodato em 02 de fevereiro de 2005, para finalidades estritamente culturais – abrigar “a Casa da Memória, Centro Cultural, Museu e atividades afins”, durante a gestão do Prefeito Valdemir Santos Porfírio e do Governador Roberto Requião de Melo e Silva. Hoje, além de referência turística do município pelo fato de ser uma edificação da época da Colônia Assunguy, a Casa da Cultura presta informações históricas e culturais do município, contando com uma sala da memória, arquivo de artefatos diversos, achados arqueológicos, vestuário e documentos variados sobre a história do município, além de acervo de material para pesquisa sobre História do Paraná e História de Cerro Azul, colocados à disposição comunidade.

Casa da Cultura de Cerro Azul
Rua Padre Luciano Maria Usai, 84
Centro - Cerro Azul - Paraná
CEP 83570-000
Fone - (41) 3662 1722

4 de set. de 2009

Festa de Nossa Senhora da Guia - Padroeira de Cerro Azul


Esta fotografia foi feita em 08 de setembro de 1933. Nela se vê como eram as comemorações da Festa da Padroeira. À esquerda, é possível ver um dos quatro coretos que existiam na Praça Monsenhor Celso.

No dia 08 de setembro, a população do município de Cerro azul comemora com uma grandiosa festa o dia da sua Padroeira “Nossa Senhora da Guia”. A celebração é realizada no Largo da Matriz e ruas adjacentes à Praça Monsenhor Celso. Fazem parte da programação a procissão, batizados, feira de produtos, churrasco no almoço, além de outros eventos no salão paroquial. O ponto alto da festa é a celebração da Santa Missa Solene.
Segundo o pároco, Padre Antonio Konkel, a Igreja de Cerro Azul foi inaugurada em 02 de Abril de 1872 (início da paróquia). A imagem da santa foi trazida para Cerro em 1884, pelo embaixador do Brasil em Portugal, Brasílio Itiberê da Cunha, que era irmão do segundo pároco, o Monsenhor Celso. Segundo a historiadora Odah Regina Guimarães Costa, em seu livro “A ação empresarial do Barão do Serro Azul”, a imagem foi patrocinada pelo Barão do Serro Azul (Ildefonso Pereira Correia) e sua esposa, Maria José Correia, a Baronesa do Serro Azul. Por ocasião do recebimento de seu título (08/08/1888), o Barão recebeu várias pessoas que vieram parabenizá-lo: “O Barão do Serro Azul recebeu diversas outras manifestações de apreço, principalmente na vila do Serro Azul, através do vigário da Paróquia, Padre Celso Cezar da Cunha, da Câmara Municipal e do Clube Literário, sendo-lhe conferido o título de Presidente honorário da sociedade Glória e Harmonia e concedido o título de sócia honorária à Baronesa do Serro Azul, que colocava à disposição da Igreja local a quantia de 100$000, tendo já feito, anteriormente doação de uma imagem de Nossa Senhora da Guia. O Barão do Serro Azul colaborara com a Sociedade Glória e Harmonia desde 1884 e contribuíra para o bem estar daquela comunidade, procurando desenvolver as suas vias de comunicação e fazendo doações para a igreja local (GUIMARÃES, 1981). O casal teria doado também os utensílios religiosos para a paróquia.
A devoção a Nossa Senhora da Guia é tipicamente portuguesa, muito conhecida em Portugal, principalmente ao norte. No Brasil são poucas as Igrejas que adotaram essa padroeira. Ela tem uma estrela na mão que simboliza luz para os devotos. Conta Padre Antonio que Cerro Azul escolheu essa Santa por causa das dificuldades que os colonizadores enfrentaram na época da Colônia Assunguy: doenças, difícil acesso, dificuldades financeiras, falta de comunicação, animais selvagens e o clima quente.

HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA DA GUIA

Sob o aspecto histórico o título de Nossa Senhora da Guia tem sua origem na Igreja Ortodoxa onde a Santíssima Virgem invocada sob o nome “Odigitria”, que significa “condutora”, ”Guia” de Jesus desde a infância até o início de sua vida pública, conseqüentemente invocada como guia e protetora do povo de Deus.
São diversos os locais onde Nossa Senhora da Guia passou a ser venerada. Via de regra, a Virgem Maria encontra-se sentada segurando o Menino Jesus como que amparando, mas diversos outros ícones da Virgem Guia variam conforme a localidade e os costumes. Representações mais recentes apresentam Maria a meio corpo, vestida com uma túnica branca e um manto azul. Sobre a cabeça um véu branco e as mãos unidas em oração. Há outras representações que variam, algumas delas apresentam-na com uma estrela em uma das mãos simbolizando a estrela-guia, que conduziu os Reis Magos até a manjedoura onde se encontrava o Menino Jesus.
No Brasil sua difusão deve-se aos portugueses, que trouxeram a devoção de Portugal, onde a festa é comemorada junto com Nosso Senhor do Bonfim. No ano de 1745, um capitão da Marinha Real aportou na cidade de São Salvador, Bahia, trazendo em seu navio tanto a imagem de Nossa Senhora da Guia quanto a de Nosso Senhor Jesus do Bonfim, as quais foram transportadas até a Igreja de Nossa Senhora da Penha, situada na localidade de Itabagipe. O vitral dentro da Igreja representa a arte sacra valorizada pelos descendentes dos imigrantes que colonizaram a região.

Fonte: Adaptado do Jornal “Correio Metropolitano” – de setembro de 2006/Edição 022 – ano II